Vamos fotografar a matemática?

José Leonardo Giovanini leciona há 17 anos a disciplina matemática. O que, para muitos, é considerado uma matéria chata e extremamente desafiadora, se torna divertida e convidativa com o projeto desenvolvido pelo professor. Fotografando a Matemática foi criado exatamente com este intuito, despertar o interesse e a curiosidade daqueles alunos que não possuem entusiasmo com a matéria.
Fugindo um pouco de problemas lógicos e equações, o projeto “tira” os alunos da sala de aula e cria em cada um deles um olhar diferente, ao mostrar o quanto a matemática está presente em diversas situações inusitadas do dia a dia; nos galhos das arvores, formando números; nas linhas dos trens, formando paralelas; e em diversas outras. O professor orienta os alunos como as fotos devem ser capturadas, o que na visão dos alunos ilustrar a matemática é válido. Para apresentação dos trabalhos, os alunos devem organizar suas fotos no Power Point, com título e ou legendas.
“Os alunos têm boa aceitação com o projeto, se sentem animados e até mesmo um pouco desafiados” conta o professor Zé Leo, como gosta de ser chamado. O projeto já foi aplicado em diversas escolas tanto do ensino público como do privado. Alunos do 8º ano EF II ao 1º ano do Ensino Médio já “fotografaram a matemática”.
“A vontade das crianças de aprender do jeito novo é sempre o mesmo. A partir do momento que os alunos conseguem enxergar a matemática no dia a dia tudo fica mais fácil, mas o projeto não é algo milagroso o aluno também deve fazer sua parte” disse Zé Leo. O professor também lembra que só funciona quando tudo é feito em conjunto, não adianta nada o professor agir de forma ativa e o aluno de forma passiva. É importante que o professor saiba entender as necessidades dos alunos, mas eles também têm que querer supri-las.
O projeto atendeu muito bem as expectativas. O professor conta que teve casos de alunos que tinham certa dificuldade na matéria e que, depois do desenvolvimento do projeto, tiveram uma melhora significativa na sala de aula, até mesmo pelo interesse. O projeto atendeu tanto os alunos que não se interessavam pela matéria como aqueles que já gostavam dela. Dessa forma fica mais agradável de se comunicar com a linguagem atual dos alunos, as mídias e as tecnologias invadiram o mundo dos jovens e das crianças hoje o professor deve saber inovar na forma de promover as aulas.

Palavra, Arte e Comunicação

Fonte: http://www.culturaamazonica.com.br/wp-content/uploads/2015/02/palavras_compartilhadas_sesc_logo.jpg
"(…) porque a escrita é uma coisa de arquiteto, só que mais completo: o escritor constrói a paisagem, as pessoas, ele é um pouco um deus, constrói todo um universo que sai da cabeça dele".
Rosana Ricalde
“Se não existe a palavra, como você vai dizer a coisa? ”, disse meu professor Luiz Magalhães, durante uma de suas aulas de filosofia. A palavra é o que torna possível a comunicação dinâmica e a escrita. Explicações, elogios, sermões, manifestos, romances e diálogos. Em tudo e para tudo a palavra é o elemento principal. Ela tem a capacidade de sintetizar uma experiência, atribuindo-lhe sentido a partir de diversas perspectivas.
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. João 1:1
É dessa forma que se inicia o primeiro capítulo do Evangelho de João, que retoma a criação do mundo, tema ainda presente em Gênese. Ou seja, o Verbo é a própria palavra, que intrinsecamente faz parte da criação do mundo.
A exposição
Como parte da programação “Deslocamentos: territórios e olhares”, temática do mês de setembro no Sesc Palladium, o centro cultural trouxe a mostra “Palavras Compartilhadas”, de Rosana Ricalde. O trabalho da artista fluminense, cujo percurso se encaixa no período contemporâneo da Arte — mas também ligado às vanguardas da arte conceitual, aos movimentos artísticos do século XX como o Dadaísmo, a poesia concreta e o surrealismo — apresenta inter-relacionados três elementos: linguagem, imagem e contexto, mas como unidade norteadora, a palavra.
Á convite da professora Ana Rosa Vidigal Dolabella, no dia 17/09, sábado, o Educomunidade, junto aos alunos dos cursos de Pedagogia, Jornalismo e História do UniBH, esteve presente na Galeria de Arte GTO, um dos ambientes do Sesc Palladium, para conhecer e apreciar as peças da exposição.
Um dos trabalhos expostos logo no início do corredor se chama “Contrapoema” e “Contrapoema I”, ambos produzidos em 2004. A artista usou os poemas “Desesperança” e “Versos escritos n’água”, de Manuel Bandeira, e construiu outros dois, separadamente, à direita de cada poema utilizando a cor branca, constituídos por palavras antônimas. O resultado são textos com sentidos totalmente distintos semântica e metricamente.
A série de 5 autorretratos tem como personagens Mário Quintana, Cecília Meireles e Manuel Bandeira, criados em 2004, Augusto Massi e Graciliano Ramos, em 2006. Com cores diferentes — verde, azul, preto, vermelho e roxo — cada escritor tem seu autorretrato, elaborado com o próprio poema. De acordo com Rosana Ricalde, “como os pintores pintam seus autorretratos, alguns poetas também decidem se descrever, só que usando a palavra”.
Sua obra “Provérbios”, 2004, permite uma interação maior do público, trazendo um painel com frases coloridas de tal modo que podem ser melhor compreendidas somente com o uso de óculos coloridos, um com lentes azuis e o outro com lentes vermelhas. Sem eles, as frases parecem mais com sequências de letras soltas, aleatórias.
“O tempo muda tudo” (2002) é uma outra série que, desta vez, usa como objeto artístico três vidros com palavras escritas em areia colorida. São cinco fotografias, com os mesmos objetos dispostos lado a lado, mas que se diferem pela ordem das palavras. Essa mudança de ordem dialoga com o título da série, ilustrando um exemplo de mudança provocada pelo tempo.
“Mar Egeu” e “Mar Vermelho”, 2006. Os dois quadros representam os respectivos mares, com os movimentos de suas águas criados por palavras. Lado a lado, elas criam aspectos de onda e, escritas com canetas de diferentes tons de azul e sob o fundo de papel reciclado cor verde água, criam um aspecto mais poético. Percebe-se, portanto, a referência vanguardista da artista com a poesia concreta, poesia de carácter visual que procura estruturar o texto poético escrito com o seu significado.

Foto: Clarisse Antunes
Nos trabalhos da série “Manifestos”* (2003-2004), Ricalde faz releituras de seis diferentes manifestos famosos da história, todos eles impressos sobre papel, 60 cm por 42 cm.
* Manifesto é um gênero textual dissertativo argumentativo utilizado para que uma pessoa ou um grupo se posicione frente a um problema de natureza social, política, cultural ou religiosa, para expor ideias sobre determinado assunto ou convocar uma comunidade para uma ação.
Na obra “Leitura Dinâmica”, é feita uma estatística de todas as letras usadas no manifesto neoconcreto (assinado em 1959, Rio de Janeiro, por Ferreira Gullar, Reynaldo Jardim, Theon Spanudis, Amílcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark e Lygia Pape). Tal manifesto fora criado no neoconcretismo, um movimento artístico-literário que surgiu como uma forma de reagir aos excessos trazidos pelo concretismo.
“Manifesto de Verbos”, “Deglutição do Manifesto” e “Deglutição do Manifesto II”, 2003, trabalham com o manifesto antropófago* (ou manifesto antropofágico).
* De cunho literário, foi escrito por Oswald de Andrade, em 1928 — ainda período do Modernismo brasileiro, que iniciou em 1922 — para defender a antropofagia, pregando a criação de uma literatura nacional, “deglutindo” o legado europeu e “digerindo-o” sob a forma de uma arte tipicamente brasileira.
No primeiro, a artista constrói o quadro com os escritos do manifesto sem espaços entre as palavras e com os verbos, que surgem após essa junção das palavras, colocados em negrito.
No outro trabalho, o manifesto é escrito apenas com palavras com vogais e no último, escrito com as sílabas separadas.
A palavra “deglutição” se relaciona diretamente com o significado de antropofagia, que por sua vez é o ato de comer carne humana. Na literatura, na música e na Arte, como é o caso, essa palavra é utilizada no sentido metafórico, de comer e deglutir como aproveitar, usufruir de algo ou tomá-lo para si.
Um exemplo disso na música é a canção “Vamos comer Caetano”, de Adriana Calcanhotto, em que, além da letra, que fala por si só, na melodia são utilizadas falas de Caetano Veloso (palavras cantadas por ele próprio, tiradas de suas músicas) e harmonia composta pelos instrumentais de “ A Luz de Tieta” e “Tropicália”.
“Vamos comer Caetano
Vamos devorá-lo
Degluti-lo, mastigá-lo
Vamos lamber a língua
[…]"
O “Manifesto Objeto” e “Manifesto Visível”, 2004, já saem da antropofagia e entram no racionalismo artístico. O primeiro é baseado no “O Objeto”, escrito por Waldemar Cordeiro, em 1956, sobreposto à imagem A mulher que não é B.B, obra também do artista plástico, jornalista e crítico de arte; e o último, utiliza o manifesto ruptura, 1953, sobreposto à obra “Ideia Invisível”.
Pode-se dizer, a partir das considerações a respeito da exposição em si e das análises individuais acerca de cada obra, que a Arte é interdisciplinar. Rosana Ricalde apresenta uma nova leitura da imagem, remetendo-nos ao poder da palavra na história ao longo dos tempos. Seu trabalho engloba comunicação, sociologia, histórias, filosofias, geografias e literaturas. Como diz Picasso, “pinturas não são feitas para decorar apartamentos. São armas de guerra contra o inimigo”. A Arte tem esse poder, de expressar e contrapor opiniões, contar a história de um povo, de uma civilização, — é importante lembrarmo-nos das pinturas rupestres, arte egípcia e arte medieval — expor ideias e culturas.
Opinião
“Propor um encontro entre cultura e arte para alunos de Comunicação e de Educação, pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, é um privilégio que me ofereço. A mim, como professora, em primeiro lugar. Isso porque é algo caro em minha prática docente, um valor fundamenta minha atuação como educadora, possibilitar encontros assim, em que o espírito humano da expressividade artística se manifesta na arte vista, compartilhada. Espaços culturais formais, que favorecem, em sua estrutura, momentos planejados de aprendizado, são hoje mais comuns na cidade. Atividades mediadas por profissionais, de um setor do museu ou casa de cultura, preparados para interagir com o público universitário é também uma significativa oportunidade de ampliação de saberes e fazeres em formação. O que chamamos no UniBH de “sala de aula ampliada”: a vivência em diferentes espaços formativos, por meio de diferentes experiências acadêmicas, ou não, que se inter-relacionam com a sala de aula em seu espaço físico de origem”.
– Professora e pesquisadora Ana Rosa Vidigal Dolabella

Fotos: Ana Rosa Vidigal
Para saber mais…
Análise da música “Língua”, Caetano Veloso, que também dialoga com a antropofagia.
http://literatortura.com/2013/09/cancao-lingua-caetano-veloso-minucioso-tratado-lingua-portuguesa/
Análise da música “Vamos Comer Caetano”, Adriana Calcanhotto.
http://www.adrianacalcanhotto.com/sec_textos_list.php?id_texto=215
“O Movimento Neoconcreto (1959-1961) ” e “O Objeto”
http://arteonline.arq.br/museu/ensaios/ensaiosantigos/neoconcreto.htm
http://www.arte.abstrata.nom.br/concreta.html
Waldemar Cordeiro, biografia
https://www.escritoriodearte.com/artista/waldemar-cordeiro/
“Manifesto antropófago e Manifesto da poesia pau-brasil Oswald de Andrade”
http://www.ufrgs.br/cdrom/oandrade/oandrade.pdf

Política: como a mídia pode controlar o imaginário de uma população

FOTO: Marcelo Gomes
Comentário de uma norte-americana que nunca veio ao Brasil e não conhece a política e a forma de controle do governo brasileiro:
“ I love that pic of you with your Darth Vader shirt! […] I am curious though, the American media portrays your country, and in fact any country in South américa or central America as very repressed. Is that true, does wearing something like that get you in trouble or put you in danger? ” – K. H.
Tradução: “Eu amei a sua camisa do Darth Vader! […] um pensamento curioso, a mídia norte-americana reporta seu país, na verdade todos os países do sul e centro da América como muito repressivos. Se isso é verdade, vestindo uma camisa como essa (o que o personagem representa), você não corre algum risco ou te coloca de alguma forma em perigo (com as autoridades)?
Devo dizer que, quando li esse comentário pela primeira vez, fiquei um pouco ofendida e assustada. Ofendida não por mim, propriamente, mas sim por todos os brasileiros que são vítimas da midiatização de inferioridade, que se entende por uma mídia que procura mostrar como oprimido os demais países, que geralmente vem dos países que ficam acima da linha do Equador.
Depois de um tempo, e algumas reflexões, entendi o ponto de vista dela. Mostrar os países inferiores como reprimidos e ameaçados por uma eterna crise é o jeito mais fácil e rápido de evitar que os americanos saiam da América. Criar uma hegemonia desse porte só foi historicamente possível com os artifícios midiáticos que Hitler usou para convencer a população Alemã sobre a propagação de uma única raça, a ariana.
A frase de Monroe, proferida tanto tempo atrás, parece estar ganhando mais poder do que perdendo. “América para os americanos”, dizia ele. Com isso, não só os norte-americanos estão parando de sair do país, como estão sendo estudadas ações por meio do partido republicano para diminuir ou até mesmo acabar com a imigração para a América do Norte.
É um pensamento compreensível, mas ainda assim, não menos triste. E é isso que a mídia internacional fala sobre os brasileiros quando não estamos prestando atenção. Que somos oprimidos, que não temos liberdade, que um golpe está em curso no país e os brasileiros estão apenas assistindo.
É no mínimo intrigante a forma da mídia brasileira vender os países acima da linha do Equador como civilizados e bonitos para viver, enquanto o Brasil está afundando em uma crise político-econômica que cada dia parece piorar mais.
E depois de entender essas reflexões, me ocorreu que não precisamos da mídia americana nos vendo como oprimidos, a própria mídia brasileira faz isso, embora eu não tenha entendido ainda quem sai ganhando com tamanha artimanha, pois os brasileiros precisam ver o seu país como uma casa a se ficar, não como um lugar de passagem para uma vida melhor além-mar.
O personagem Darth Vader, da saga Star Wars, foi o causador de toda essa confusão. Sua representação na história é simples: ele se volta contra um governo que não acredita funcionar e quer dominá-lo para impor sua ideologia, e, geralmente, acaba matando quem fica no seu caminho. Termino aqui minha reflexão com uma dúvida que ainda persistirá: por que a norte-americana viu um oprimido em uma representação do opressor?

Educomunidade no SESC Palladium

Recentemente, o Educomunidade promoveu, junto à disciplina de Leitura e Produção de Textos, de iniciativa da professora Ana Rosa Vidigal, uma sessão de cinema gratuita no SESC Palladium para os alunos dos cursos de Publicidade e Propaganda, Pedagogia, História e Jornalismo, onde exibia-se o filme chileno "No". A proposta era favorecer a formação para questões históricas, políticas, sociais e referentes à comunicação, importantes premissas para agregar conhecimento em prol não só da vida acadêmica, mas também para a ampliação de conhecimentos gerais.
"No" mostra claramente o diálogo existente dentro da comunicação: a linguagem audiovisual, no qual envolve produtoras de cinema, vídeo, emissoras de rádio e TV; produção de vídeos, filmes de curta ou longa-metragem, que envolvem cineastas e publicitários; e a perspectiva jornalística, responsável pela investigação e divulgação dos fatos e informações de interesse público. Essa dinâmica leva à reflexão sobre o poder da divulgação, e, consequentemente, sobre a força que um produto ou ideia ganham; como uma campanha publicitária consegue mobilizar a população a favor de uma ideia e mudar o rumo da história de um país ou a interdependência que há na comunicação para a realização de um trabalho.
Certamente, por estes e outros motivos, "No" é um filme indicado ao público da Educomunicação, visto que a relação entre os ecossistemas comunicativos e educação é abordada todo o tempo na trama: a informação, veiculada por múltiplos meios, acessíveis quase à totalidade da população chilena; e a educação, que entra na parte crítica em "saber lidar" com os meios de comunicação no papel de principal fator externo que contribui na influência do voto.
Na época retratada no filme, como tratava-se de uma séria questão política e de grande interesse e importância para toda a comunidade chilena, a publicidade assumiu destaque por participar de forma ativa no contexto e exigiu maior trabalho dos envolvidos. Veiculadas nos maiores meios de comunicação em massa, TV e rádio, as campanhas políticas eram a chave para a decisão do plebiscito¹ e deveriam atender às exigências da profissão para conseguir envolver o país na ideia defendida: Sim ou Não. Vemos, realmente, uma disputa para ver quem tinha a maior capacidade de persuasão. A decisão, embora a propaganda exercesse uma participação fundamental, partia inicialmente de conceitos individuais, como o resultado afetaria a vida individual e em comunidade. Como mostrado no enredo do filme, a propaganda, portanto, tinha o papel de fazer a pessoa mudar de ideia ou confirmar a já existente.
1 O plebiscito, que interrompeu as expectativas do governo para mais oito anos de poder do general Augusto Pinochet no Chile, ocorreu no dia 5 de outubro de 1988. Um mês antes, no dia 4 de setembro, um comício da oposição em Santiago reuniu 350 mil pessoas, dispersadas a cassetetes, jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo, na maior manifestação em 15 anos de ditadura. Com a chegada de Hortensia Bussi, a viúva de Salvador Allende (Fundador do Partido Socialista que governou o Chile de 1970 a 1973, quando foi deposto pelo golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet) depois de 15 anos de exílio no México, 600 mil pessoas foram às ruas.
O Filme
Escrito por Pedro Peirano e baseado na peça "El Plebiscito", de Antonio Skármeta, "No" é um filme chileno que narra, sob um diferente ponto de vista, os bastidores do plebiscito que derrubou o general Augusto Pinochet, ditador do Chile após um golpe militar em 11 de setembro de 1973. Considerado um dos melhores filmes de 2012, "No" foi aclamado no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Protagonizado por Gael García Bernal, que interpreta o publicitário René Saavedra, o longa conta como foram as campanhas do plebiscito de 1998, que convocavam ao "sim" os que desejavam a permanência do regime ditatorial e "não" aos que preferissem a convocação de eleições democráticas para presidente no ano seguinte. Durante um o mês, os dois lados tinham 15 minutos diários nas rádios e emissoras de TV para convencer a população sobre qual era a melhor escolha. René é convidado a participar da campanha do NO, enquanto seu chefe, Lucho Guzmán (Alfredo Castro), trabalha pela direita, na promoção do SÍ. O filme mostra como o trabalho de um grupo de publicitários e coordenadores políticos, que optaram em dar um tom mais leve, otimista e alegre a campanha, conseguiu encorajar os cidadãos a votar e levar à vitória do NO, livrando o país do regime ditatorial de Pinochet.
Com o objetivo de levar o telespectador à época do contexto histórico retratado e dar a impressão de que se tratava de um filme rodado anos atrás, o diretor chileno Pablo Larrín filmou boa parte do longa em U-matic, um tipo de vídeo com qualidade intermediária entre o VHS e o Betacam, usado nas décadas de 1970 e 1980 pelas emissoras de TV, e em seguida trabalhou no "envelhecimento" do material.